5.6.07

ALÉM DO LIMITE DO UNIVERSO





ou O QUE SOU ONDE NÃO EXISTO


Seria necessário
que falasse algo
que fizesse sentido
para que isto se justifique.


Viver assim sem porquê.
Ou alguns nascem
para isto?
Para ser nada ou
ser suporte de outros
que virão a ser?
Aí teria eu nascido
para ser mãe de minhas filhas
ou filha de minha mãe.
A que a levou a canonização.


Só sofredores viram santos.
E nem isso posso ser.
Sofro algo ilegítimo,
não compreendido,
E, mesmo que fosse,
não poderia ser.
Sempre ganho o que peço
e nunca pedi o que quis.
Só descubro depois.
Nem é isso um poema.
Fosse ao menos belo
teria descoberto
o tal sentido do ser.


Escrevo.
Escrevo.
Escrevo.

Tento descobrir
o que estou pensando,
porque estou tão triste,
porque não faz diferença
saber o porque.
Tenho esperança
(por não ter a fazer)
que se descobrir o porquê,
talvez,
faça diferença viver.

Ou não.

Por falta do que fazer
ocupo o tempo pensando
no que poderia ser
o sentido da vida
que temo viver.

Traço metas,
rimo teorias,
defendo teses,
dou de graça conselhos
que adoraria vender.
Como se viver
o que estou longe
de sequer saber.
texto e imagem: roberta silva

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