25.6.07

Vespertina




Ela disse: Eternidade.

Numa língua serpentina.

Se enroscou em meu nome,

cheiro e albumina.


Deu voltas em meu pescoço,

falou descalço em meu ouvido:

-Vem comigo! Vem comigo!

E lotou meus dias de feitos vazios.


Lagarto cruzou a estrada

a engravidou de uma montanha russa.

Parto sem dor,

algo de puro nesse despudor,

algo de muro nesse corredor.


Acorde tímido, gemido rouco.

-Fica mais um pouco!

-Fica mais um pouco!

-Eu te preciso, preciso.


Em minhas mãos dez coordenadas.

Metáfora do alcance.

Em minhas mãos descoordenadas.

Meta fora do alcance.


Um lance que já estava dentro

bem antes do antes do antes.

Dois canudos no mesmo refrigerante.


texto e imagem: roberta silva

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