10.7.07


Eterno Retorno

Pode-se dizer que estive cativa desde sempre, não é certo, porém. Num momento, que não mais distingo entre as coisas, poucas, que ainda sei reais, estive viva. Agora não me importa saber deste instante, da mesma forma obcecada que desejei saber distante, se era meu o dedo no gatilho ou o que apontava.

Por longo período fui somente um deles. Era como se revivendo, revivendo, revivendo aquele ato eu própria me acolhesse em um tenro regaço. Fingi, no princípio nem precisei, que não era eu ali lambendo minhas próprias feridas e sim, tu. Imensamente, amargamente, eternamente arrependido e apaixonado.

Minha dor ali, minha morte ali tão perto e tão tua excitava-me a ponto de eu revivê-la vez após outra. Tua morte minha.

Depois foi escapando-me aquele gozo por entre os dedos. E, compreenda, para não morrer precisei estar em teu lugar, matar ou morrer, não me lembro, ver-me ali por teus olhos. Por teus olhos me vi e eu morria molhada. Choraste. Choraste? Não importa. Quão doces foram aquelas primeiras vezes. Matava-me ou a ti rapidamente só para ver-me morrer como que afogada de teus olhos. Não durou também.

Tu e eu agora somos nada. Sem gozo, sem culpa, sem perdão. Nada somos acompanhados. Não me vou de ti e nem me deixas por não sabermos ser algo sós.


texto e imagem: roberta silva

2 comentários:

Hamlet disse...

hum...!
lembrei do in extremis... interessante.

líria porto disse...

este está entre os teus textos que mais gostei!!!
beijo
líria