29.5.10

Vespertina

 roberta silva
      
Ela disse: Eternidade.
numa língua serpentina.

Se enroscou no meu nome,
cheiro e albumina.

Deu voltas em meu pescoço
falou descalço em meu ouvido:
-Vem comigo! Vem comigo!

E lotou meus dias de feitos vazios.

Lagarto cruzando a estrada
grávida de uma montanha russa.

Parto sem dor,
algo de puro nesse despudor,
algo de muro nesse corredor.

Acorde tímido, gemido rouco.
-Fica mais um pouco!
-Fica mais um pouco!
-Eu te preciso, preciso...

em minhas mãos dez coordenadas .
Meta fora do alcance.
Um lance que já estava dentro
bem antes do antes do antes.

                                            Dois canudos no mesmo 
                                   refrigerante

Um comentário:

Lou Vilela disse...

Uau! Belo poema numa bela manhã de domingo!

Sua escrita é singular!

Bjs