28.1.11

franciscano



depois da destruição da chuva
começo a reconhecer minha casa
perdi todas vidraças
e tudo mais que não estava fincado no chão
paredes ainda disformes
não apresentam a mesma cor

 são tão ternas

quase todo o barro retirei do chão
está mais fácil caminhar

não é toda noite que resisto às paixões
quando não me assaltam desaparecem de mim
como a dor depois do filho nascido

meus amores tem mais raízes que antes
acato e venero seus papéis

percebo-os
protejo-os
respeito suas distâncias

Um comentário:

Anga Mazle disse...

Lembrei-me de imediato das recentes tragédias das chuvas, até afundar em seus versos... e ser resgatada aqui:

"não é toda noite que resisto às paixões
quando não me assaltam desaparecem de mim
como a dor depois do filho nascido"

Gostei do seu blog, Ragi, dos teus poemas.

Beijos