18.9.10

freudiana

roberta silva


Minha boca
Quer engolir o mundo,
Chocolates,pro.fi.te.ro.les,
Teu sêmen.

Quer mascar coca
Fazer fiu-fiu
Mandar à PUTAQUEPARIU.

Lamber, sorver-te,
feromônios e leite.
Minha boca quer salivar.

Dar um soluço,
Perder o ar.

Ela quer,
Deseja,
Anseia,
Delira.

Minha boca
Não tem medidas

Meus dentes,
Pra te cegar melhor.

Minha língua,
Pra te enrolar melhor.

Minha saliva,
Pra te secar melhor.

Minha boca
Dá voltas em
Minha cabeça.

Ela me entrega,
Te esfrega
E, no melhor do poema,
Ela se castra.

Um comentário:

João de Sousa Teixeira disse...

CONTROVERSO




Tem aguarelas mortas
a nicotina
que nos suspende
amor
talha a ilusão do verso
num ritmo cardíaco
controverso

a língua do teu corpo fica ainda
mais ardente
mais entregue

mais fundo o tempo que desejo
num verso exausto imaginado
interdito
imperfeito

(Em Corpo de Poema, 1983)

Beijinho
João