19.6.07

ADVERTÊNCIA




Como quem grita à beira do canyon, escrevo.
Um eco arrebata-me, às vezes, de surpresa.
A bunda do comercial de cerveja.
Uma sede de mim causada pelo eco do eco acontece.
Meu gosto ou meus efeitos colaterais
inadvertidamente são esquecidos.
Se fosse cor de inseto seria dos peçonhentos.
Se fosse gosto de folha seria das amargas.
Sou verdade nua.
O olhar da cobra nos olhos da vítima.
A leitura de minha escrita causa uma sede de si próprio,
mortal e incurável, é Santo Daime. Causa vômito de fel, bota para fora o a muito esquecido.
Num futuro, à médio ou longo prazo, serei obrigada a escrever no fim de minhas páginas e ao lado de minha assinatura: "O Ministério da Cultura adverte: Ler-me causa sede incurável de vida. Leia com moderação."


texto: roberta silva
imagem: desconheço autoria

Um comentário:

nina rizzi disse...

lindos.. imagem e texto.. dá pra ler e ver ouvindo "água de beber/ bica no quintal/ sede de viver..."
beijos :)