15.6.07

o copo



Eu podia dizer que
não sou nada
ou que exageraste.
mas não fui nada,
além de copo.

Dei de beber
o café, na correria,
nunca o chá das cinco;
a água, no sufoco,
não o champagne no quarto.

Retirado da mesa
na hora da sobremesa.
não culpo, além de mim,
alguém mais por isso.

Muitas vezes
não segurei gota mínima
e entornei queimando tudo.

Acostumei
a ver a festa de cima da pia,
a fazer barulho estranho ao cair,
a não cantar como cristal.
(heave metal)
a medir farinha e engolir seco.
a medir óleo e me borrar de medo.

A isso tudo isso me acostumei.

Até que um dia
nem na pia me quiseram.
parei numa janela.
Olhei da beira
pularia não fosse a grade.

O frio da noite me molhou sereno.
De manhã sol apareceu ameno.
Esquentou primeiro eu.
Eu? O Copo? Porque?

Passou por mim lambendo
Não tenho luz, sempre soube.
Mas, converto luz.
Não pulo mais.
Não me largo mais.

texto e imagem: roberta silva

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